Radar Digital #1 | Quem ganhou terreno nas redes em julho
Benfica acelera, Sporting recua e há novos protagonistas na Segunda Liga e na Liga 3. Os números completos dos 52 clubes.
Bem-vindos à primeira edição do Radar Digital, o novo retrato mensal da presença digital dos clubes do futebol português.
Todos os meses, o Futebol & Negócios acompanha o número de seguidores dos clubes no Facebook, Instagram, TikTok, X e YouTube. Esta edição utiliza os dados recolhidos a 1 de agosto de 2026 e compara-os, sempre que existe uma base equivalente, com 30 de junho.
Nas contas com comparação mensal disponível, os clubes analisados registaram um saldo líquido de mais 122.449 seguidores.
Os números, os conteúdos de maior impacto e as tabelas completas da Primeira Liga, Segunda Liga e Liga 3.
Os 52 clubes acompanhados pelo Radar Digital somavam 44.920.474 seguidores nas cinco principais plataformas a 1 de agosto.
Mas este número precisa de contexto. A entrada de novos clubes no universo de 2026/27 aumentou a amostra de 49 para 52 equipas. Para medir o crescimento sem misturar universos diferentes, comparámos apenas os 47 clubes presentes nas duas recolhas.
Nessa base comparável, o futebol português ganhou 122.449 seguidores em julho, uma subida de aproximadamente 0,3%.
Esta soma representa presenças nas plataformas, não pessoas únicas: o mesmo adepto pode seguir o clube no Facebook, Instagram, TikTok, X e YouTube.
Onde os clubes cresceram
O Instagram foi responsável por quase três quartos do crescimento líquido observado:
Instagram: +90.567 seguidores
YouTube: +11.645
Facebook: +10.000
TikTok: +5.454
X: +4.783
O YouTube apresentou a maior subida percentual, cerca de 0,9%, mas é o Instagram que continua a gerar escala. Mais do que uma rede de apoio, é onde os clubes efetivamente crescem.
No TikTok, o saldo agregado foi modesto, mas esconde movimentos extremos: os saltos de Santa Clara e Arouca contrastaram com a queda acentuada do Sporting.
Primeira Liga: uma liderança concentrada e dois outliers
Os 18 clubes da Primeira Liga somam 41.904.518 seguidores e cresceram 93.304 durante o período comparável.
Benfica, FC Porto e Sporting representam 87,7% de toda a audiência digital da competição. A concentração também se verifica no Instagram, onde os três grandes geraram 88% das interações registadas em julho.
O Benfica liderou o crescimento absoluto, com +36.555 seguidores, seguido pelo FC Porto, com +15.529.
O Sporting terminou o mês com −12.340. Contudo, não se trata de uma queda transversal: o clube cresceu no Instagram, X e YouTube. A descida resulta essencialmente do TikTok, onde perdeu 20.946 seguidores. É um movimento a confirmar na próxima recolha antes de retirar conclusões estruturais.
Fora dos três grandes, Santa Clara e Arouca são os casos mais interessantes.
O Santa Clara ganhou 10.401 seguidores, um crescimento de 5,8%. O Instagram subiu cerca de 9,1% e o TikTok avançou 36,2%. O conteúdo de maior impacto foi uma publicação colaborativa com o criador Edivando Junior, que gerou 87.330 interações. A colaboração levou o clube a uma audiência muito superior à sua escala habitual.
O Arouca cresceu 8.330 seguidores, ou 5,9%, com um aumento de 20,5% no TikTok. Tal como no Santa Clara, a dimensão do salto recomenda prudência: os valores são tecnicamente válidos, mas precisam de ser confirmados na próxima fotografia mensal.
No topo do desempenho editorial surgem dois conteúdos publicados pelo FC Porto em colaboração com a UEFA Champions League: James Rodríguez, com 262.013 interações, e Ricardo Quaresma, com 153.602.
Os dois casos mostram o valor comercial e editorial da memória internacional. Também deixam uma ressalva: parte da distribuição pertence à rede do parceiro, e não exclusivamente aos canais do clube.
Tabela completa — Primeira Liga
Segunda Liga: um terreno digital mais competitivo
Os 15 clubes da Segunda Liga reúnem 1.792.742 seguidores e cresceram 17.075, aproximadamente 1%.
Ao contrário da Primeira Liga, a atenção está menos concentrada. Os três maiores clubes representam 42,2% da audiência, criando mais espaço para equipas de média dimensão ganharem relevância.
O Torreense liderou o crescimento mensal, com +3.479 seguidores, e também o volume de interações no Instagram, com 121.068.
O clube beneficiou de campanhas com uma função clara: a renovação do passe de época e a comunicação do Estádio Municipal de Leiria como casa europeia. São conteúdos que prestam um serviço concreto ao adepto, em vez de se limitarem a preencher o calendário editorial.
Seguiram-se Chaves, com +2.961 seguidores, Penafiel, com +2.155, e Académica, com +2.047.
O post individual mais forte da competição pertenceu ao Chaves: a exibição de Vozinha frente à Argentina gerou 12.685 interações. O desempenho juntou identidade desportiva, orgulho internacional e uma figura com reconhecimento além do clube.
Felgueiras e Penafiel, que tinham lacunas na recolha anterior, aparecem agora devidamente representados. O Felgueiras registou 86 publicações e 56.289 interações. O seu conteúdo mais forte foi o encontro dos gémeos Mario e Oscar Rivas, partilhado com o Vitória SC.
No Penafiel, uma homenagem a André liderou o desempenho mensal. É mais um exemplo de como histórias humanas e identitárias conseguem superar posts de bilhetes e merchandising.
Tabela completa — Segunda Liga
Liga 3: bases menores, mas atenção mais distribuída
Os 19 clubes da Liga 3 somam 1.223.214 seguidores.
Cinco clubes entram agora no Radar sem uma base comparável de junho — Leça, Paredes, Louletano, Vianense e Vitória de Sernache — acrescentando 198.304 seguidores ao mapa atual.
Entre os 14 clubes comparáveis, o crescimento real foi de 12.070 seguidores, aproximadamente 1,2%.
Paços de Ferreira, Belenenses e Leça concentram 49,9% da audiência da competição. No entanto, os três clubes com mais interações representam apenas 32,5% do total. A atenção está, portanto, mais distribuída do que o número de seguidores sugeriria.
A União de Santarém aparece com uma variação de +4.000 seguidores no Facebook. O movimento coincide com a contratação do internacional angolano Mauro Mucuta, proveniente do Petro de Luanda, o que poderá ter ampliado a exposição do clube junto do público angolano.
Seguiram-se Atlético CP (+1.625), Caldas (+1.153) e Trofense (+929).
O Leça liderou o volume de interações, enquanto Paredes, Vianense e Vitória de Sernache estiveram entre os clubes mais eficientes em relação à dimensão das suas comunidades.
Os conteúdos de maior impacto dos recém-chegados foram apresentações de reforços:
O Belenenses apresentou outro modelo. A conquista do Troféu Vicente Lucas, amplificada pelo Canal 11, alcançou 112.377 reproduções.
No Atlético CP, o projeto MAAT + Atlético, apresentado pela SIC, chegou a uma audiência exterior ao futebol. A associação entre clube, cultura, território e televisão criou uma distribuição que dificilmente seria alcançada por uma publicação desportiva convencional.
Tabela completa — Liga 3
O que julho nos ensina
Os conteúdos que melhor funcionaram durante o mês revelam três caminhos e um aviso para os clubes aumentarem a sua distribuição digital.
O primeiro é a colaboração com audiências já estabelecidas. O FC Porto beneficiou da dimensão internacional da UEFA Champions League, enquanto o Santa Clara chegou muito além da sua escala habitual através de uma publicação colaborativa com o criador Edivando Junior.
O caso açoriano é particularmente relevante para clubes de menor dimensão. Uma colaboração bem escolhida pode ser mais eficaz do que aumentar simplesmente o volume de publicações. O Santa Clara ganhou 10.401 seguidores no mês, cresceu 9,1% no Instagram e 36,2% no TikTok. Não é possível atribuir todo esse crescimento a uma única publicação, mas a coincidência entre o conteúdo colaborativo e o salto nas plataformas merece acompanhamento.
O segundo caminho é a comunicação com utilidade concreta para o adepto, como as campanhas do Torreense sobre o passe de época e a utilização do Estádio Municipal de Leiria.
O terceiro passa por histórias que cruzam futebol, território e cultura. O projeto do Atlético CP com o MAAT, amplificado pela SIC, levou o clube para fora da conversa estritamente desportiva.
Por fim, julho recorda que crescimento e interação não são a mesma coisa. Um conteúdo pode alcançar uma audiência extraordinária sem a converter integralmente em seguidores. O verdadeiro teste para Santa Clara, Arouca e os restantes destaques será perceber se estes picos se transformam numa comunidade recorrente durante a competição.
A dimensão continua a dar aos grandes uma vantagem esmagadora. Mas os resultados de julho mostram que os clubes mais pequenos podem compensar parte dessa diferença através de colaborações certas, campanhas úteis e narrativas com identidade própria.
Metodologia: dados de seguidores recolhidos a 1 de agosto de 2026. Foram analisadas contas oficiais no Facebook, Instagram, TikTok, X e YouTube. Os conteúdos de Instagram abrangem o mês civil de julho. Contas inexistentes, privadas ou sem métricas públicas aparecem como indisponíveis, não como zero. Equipas B não foram incluídas.
Contacto: Caso algum dado necessite de alguma correção, por favor contacte-nos via email: fn@futebolnegocios.com
